Mooi nieuws voor iedereen die van boeken over taal houdt: Superbrabants van Kristel Doreleijers heeft de Taalboekenprijs 2026 gewonnen. Daarmee is het uitgeroepen tot het beste publieksboek over (Nederlandse) taal van het jaar.
De winnaar werd zaterdagochtend bekendgemaakt in het radioprogramma De Taalstaat. De jury, bestaande uit Ton den Boon, Peter Debrabandere, Mathilde Jansen, Vibeke Roeper en Geertje Slangen, noemt het boek "geweldig leesbaar" en "geweldig leuk om te lezen".
Wat mij het meest aanspreekt in het juryoordeel: het is ook een boek waarin oude en nieuwe perspectieven op dialect met elkaar in dialoog gaan. Dialect wordt vaak gezien als iets van vroeger, dus een populair boek dat laat zien hoe die oude en nieuwe blik op streektaal naast elkaar bestaan, klinkt precies als het soort taalboek dat ik graag lees.
Doreleijers krijgt 3000 euro en een oorkonde.
De bekendmaking is hier terug te luisteren:
https://www.nporadio1.nl/fragmenten/de-taalstaat/01a12531-1368-7077-9…
Bron: Tzum
Escrever um romance é o sonho de muitos de nós, mas passar da ideia a uma história coerente e viva é um verdadeiro desafio. Durante muito tempo andei às voltas com os meus cadernos sem coragem de começar, até perceber que é preciso tanta criatividade quanto método. Tudo começa com uma ideia que vos obceca — aquela que não conseguem esquecer é provavelmente a certa.
Depois, é preciso um enredo sólido. O método dos três atos ajudou-me imenso: a apresentação, o confronto em que os obstáculos se acumulam e, por fim, a resolução. Cada cena deve ter uma razão de existir. Mas os leitores lembram-se sobretudo das vossas personagens, por isso deem-lhes desejos, medos e uma evolução. Uma boa personagem não é perfeita, é humana.
Também aprendi a encontrar o meu ritmo: um objetivo realista, algumas centenas de palavras por dia e uma rotina. O importante não é escrever depressa, mas escrever com frequência. Terminado o primeiro rascunho, deixa-se repousar, reescreve-se e depois dá-se a ler a leitores beta atenciosos, mas honestos.
Hoje, publicar é mais acessível do que nunca: edição tradicional ou autopublicação, papel, ebook ou audiolivro. Mas o mais importante é começar. A inspiração vem ao escrever, não ao esperar.
Fonte: Écrire un roman
A Feira do Livro de Frankfurt, considerada a maior feira de livros do mundo, foi oficialmente aberta na quarta-feira, 7 de outubro de 2026, na Alemanha. Segundo reportagem da ANTARA, o evento reúne mais de 4.000 editoras de mais de 100 países e regiões. A feira vai até domingo, 11 de outubro, no Messe Frankfurt, e deve receber mais de 230.000 visitantes. A feira foi realizada pela primeira vez em 1949.
Segundo os organizadores, a programação deste ano se concentra em vários temas: crises e conflitos internacionais, aplicação e regulamentação da inteligência artificial (IA), comércio de direitos autorais, literatura infantojuvenil e audiolivros. Há seminários, fóruns, apresentações, sessões de autógrafos e leituras, para que editoras, escritores e a mídia troquem ideias e os leitores possam encontrar os autores pessoalmente.
A reportagem dá atenção especial ao pavilhão conjunto com a China, de 336 metros quadrados, que exibe mais de 3.000 títulos e mais de 4.600 livros selecionados. O pavilhão reúne exposição de livros, negociações de direitos autorais, intercâmbio cultural e experiências interativas. As instituições chinesas de edição e cultura realizarão 55 eventos durante a feira, de seminários temáticos e diálogos com autores a assinaturas de acordos de cooperação em direitos autorais e lançamentos de novos livros.
Como leitor que acompanha o mundo da escrita, tenho interesse em duas questões. A primeira é como a IA será discutida entre editoras e autores numa feira cujo negócio principal é a compra e venda de direitos autorais. A segunda é o destaque dado à literatura infantojuvenil e aos audiolivros, que mostra que o jeito de as pessoas apreciarem histórias continua evoluindo. Espero que a Indonésia também se torne mais ativa na apresentação de seus escritores em eventos como este.
Fonte: ANTARA News
Uma notícia do Observador mexeu com o meio literário francês e merece ser acompanhada. A Académie Goncourt anunciou, numa sexta-feira de setembro, que o romance do escritor haitiano-canadiano Thélyson Orélien seria retirado da lista de candidatos ao mais importante prémio literário de França. A academia alegou a necessidade de proteger a integridade do prémio e disse opor-se à criação de textos com ajuda de inteligência artificial. Só voltará a comentar a 6 de outubro, quando forem anunciados os finalistas.
O livro é «C'était ça ou mourir», publicado em março pela Éditions du Boréal, no Quebeque, e em agosto pela Éditions Grasset, em França. As suspeitas surgiram a 21 de setembro, o mesmo dia em que Orélien recebeu o Prix Fnac de melhor romance. Uma conta anónima no X chamada «Balance ton Claude» afirmou que o texto era quase todo gerado por IA e que várias passagens tinham dado «100% IA» no detetor Pangram. O Observador esclarece que a conta é, na verdade, um coletivo que inclui o ensaísta e cronista do Le Figaro Samuel Fitoussi.
A Grasset, do grupo Vivendi, classificou as alegações como notícias falsas e argumentou que os detetores de IA são eles próprios sistemas sujeitos a erro. O autor nega categoricamente: diz que as repetições apontadas refletem uma tradição literária haitiana e caribenha e a sua própria poética, que sempre gostou de escrever e que está a reunir um dossiê com os editores para provar a autoria. Contou ainda ter sofrido ataques racistas desde que se mudou para França.
O Goncourt é atribuído desde 1903 pelos «Les Dix», dez escritores que escolhem o melhor romance em língua francesa do ano; o prémio em dinheiro é simbólico, mas pode multiplicar vendas e traduções.
Não tenho como saber quem tem razão, e as ferramentas de deteção são mesmo discutíveis. Mas o caso mostra como a pergunta «quem escreveu isto?» passou a pesar nos prémios literários.
Fonte: Observador
A Academia Sueca anunciou que o Prêmio Nobel de Literatura de 2026 foi concedido à poeta canadense Anne Carson, de 76 anos. Segundo a VnExpress, o prêmio vale 12 milhões de coroas suecas (cerca de 1,2 milhão de dólares). Ela é a 19ª mulher a receber o prêmio em 125 anos e a segunda autora canadense, depois de Alice Munro.
A Academia descreveu sua obra como ousada e criativa, um diálogo brincalhão com a tradição clássica que cria novas formas para a literatura contemporânea. O presidente do Comitê Nobel, Anders Olsson, afirmou que a obra dela está na encruzilhada entre a paixão do filólogo pela linguagem e o desejo do poeta de encontrar novos sentidos.
Nascida em Toronto em 1950, ela estuda grego antigo desde o ensino médio e tem doutorado em literatura clássica. Entre as obras citadas estão Eros the Bittersweet (1986), o romance em versos Autobiography of Red (1998), que recria Gerião, o monstro da mitologia grega, a tradução If Not, Winter de fragmentos de Safo (2002), Nox (2010), um memorial ao irmão, e Float (2016), 22 pequenos volumes que podem ser lidos em qualquer ordem.
Outro artigo da VnExpress, intitulado "Escrever contra o tédio", a descreve como uma autora que quebra as formas literárias convencionais, misturando o clássico e o moderno, a razão e a emoção, o acadêmico e o acessível. Ela se apoia em Homero, Safo, Eurípides, Virginia Woolf e Marcel Proust, mas reconta histórias antigas invertendo as leituras habituais.
Não li muito da obra dela, então o detalhe que mais me intriga é Float, o livro que permite ao leitor escolher a ordem da leitura. Se você quer começar por Carson, esse parece um caminho interessante.
Fonte: VnExpress
Uma boa notícia para quem se interessa pela história do livro: a coleção particular de 525 obras do professor İsmail Erünsal já pode ser acessada digitalmente. De acordo com a TRT Haber, o ministro da Cultura e do Turismo, Mehmet Nuri Ersoy, anunciou a novidade.
Erünsal doou a coleção à Biblioteca de Manuscritos Süleymaniye em 6 de agosto. Ersoy o apresenta como um nome conhecido nos estudos sobre a história do livro e das bibliotecas otomanas, e afirma que a doação transformou um patrimônio científico e literário de séculos em um tesouro do qual todos podem se beneficiar. Erünsal, que formou a coleção ao longo dos anos com recursos próprios, vê as obras como um valor nacional confiado ao interesse público, e diz que fez a doação para que fossem mais bem protegidas e de acesso mais fácil aos pesquisadores.
O que chama a atenção é a rapidez: em cerca de dois meses, foram concluídas a conservação, a restauração, a digitalização e a catalogação, e a coleção foi aberta aos pesquisadores. Pode ser acessada em www.yek.gov.tr.
A reportagem destaca alguns itens do acervo. Na literatura, há um divã (coletânea de poemas) escrito à mão por Şeyh Galib aos 18 ou 19 anos, um dos 15 manuscritos de autor da coleção. O exemplar datado mais antigo é o Dîvân-ı Emir Şâhî, de 1523. Também há um divã até então desconhecido do poeta Cezerî Kasım Paşa, da época de Bayezid II, além de textos raros de Keşfî e Urfalı Mustafa Hattî. Em economia e diplomacia, há um Narh Defteri (registro de preços) de 288 páginas, fonte importante para a história dos preços otomanos, e o Sefaretname de Seyfullah Ağa. O Mirâtü'l-Işk é citado como fonte importante para a história do melamismo no século XVI.
Notícias assim me animam: manuscritos raros que por anos ficaram na estante de uma só pessoa chegam agora à tela de todos com um clique.
Fonte: TRT Haber
Se você sonha em publicar um livro, vale ler a notícia da SVT de sexta-feira passada. A Associação Sueca de Escritores (Sveriges Författarförbund) voltou a alertar autores para que não assinem contratos com a Bookea Group, controladora da editora híbrida Lava förlag. O alerta foi enviado aos associados.
O motivo é que a Bookea está em recuperação empresarial (företagsrekonstruktion) desde este verão, o que, segundo a associação, aumenta o risco financeiro para autores e tradutores. A associação também considera o modelo híbrido um intermediário problemático entre autores e editoras. No modelo híbrido, o autor cofinancia a publicação. A associação afirma que, nesse caso, o autor assume uma parte considerável do risco financeiro e pode ficar preso a seus direitos, com controle limitado sobre a obra.
A SVT apresenta alguns números. A Lava se define como a maior editora de livros dos países nórdicos. Em 2023 publicou 486 títulos, com lucro de 12,3 milhões de coroas. No ano seguinte, teve prejuízo de 9,2 milhões. No pedido ao tribunal distrital de Estocolmo, a Bookea escreveu que não conseguia pagar salários nem dívidas com fornecedores. No outono de 2024, a associação já tinha alertado sobre contratos injustos e cláusulas de sigilo pouco razoáveis, mas retirou o alerta após um diálogo com a Lava.
Anna Bergius, que substituiu o fundador Peter Norrman em 2025, deixou o cargo de diretora-executiva em agosto. A diretora-executiva interina, Ann-Charlotte Baudin, diz à SVT que a empresa precisa melhorar em algumas áreas e que o trabalho está em andamento. Ela defende o modelo híbrido, dizendo que ele cumpre uma função importante num setor onde é difícil entrar.
Acho este um lembrete útil: antes de pagar para ser publicado, leia o contrato com atenção, compare as alternativas e, de preferência, consulte a Associação de Escritores.
Fonte: SVT Nyheter
«Viagem por Taiwan» ganhou o Prémio Booker Internacional em maio, mas surgiram recentemente notícias de que a sua tradução inglesa foi violada. Segundo uma reportagem da Central News Agency, a tradutora inglesa Jin Ling emitiu um comunicado a 6 de outubro, dizendo que os seus direitos sobre a versão inglesa tinham sido violados por uma editora europeia e que tinha avançado com ações legais.
A agência que trata dos direitos internacionais do livro, a Kwang Lei International Rights Agency, também emitiu um comunicado na noite de 7 de outubro. A Kwang Lei explicou que representa os direitos da Spring Hill Publishing e que ajuda a licenciar editoras estrangeiras para traduzir e publicar o livro nas suas línguas. Em junho deste ano, essa editora europeia enviou uma capa para revisão, e nessa altura a Kwang Lei confirmou que estava a usar a tradução inglesa de Jin Ling sem autorização. A Kwang Lei pediu de imediato que a publicação fosse suspensa e deixou claro que não podia ser publicada sem autorização, mas, após várias rondas de contacto, a editora decidiu publicar mesmo assim, sem autorização.
A Kwang Lei sublinhou que nunca representou a tradução inglesa de Jin Ling e que o contrato original não incluía direitos relativos à edição inglesa. Lamenta não ter verificado na altura, com mais atenção, se a editora tinha obtido os direitos da tradução inglesa, e diz que vai rever os seus processos, confirmar com mais rigor a origem e a autorização das traduções e reforçar os procedimentos de contratos e licenças. Entretanto, pediu à editora que parasse de publicar, apoia a posição da Spring Hill Publishing de rescindir o contrato e entregou o assunto a advogados. Como o caso já está em processo judicial, diz que não pode, para já, comentar mais pormenores, e a reportagem não nomeia a editora.
O que isto me faz pensar é que, enquanto um livro ganha prémios e chega ao mundo, cada elo da cadeia de tradução, licenciamento e direitos tem de ser cuidadosamente confirmado. O trabalho da tradutora também deve ser claramente reconhecido, e espero que a forma como isto for tratado dê a todos os envolvidos uma explicação razoável.
Fonte: Central News Agency
A Feira Internacional do Livro Árabe de Beirute acontece este ano na sua 67.ª edição, de 9 a 18 de outubro de 2026. Li a notícia no Al Jazeera Net e quis resumi-la para quem se interessa por livros e edição. A feira realizou-se pela primeira vez em 1956.
Este ano participam 163 editoras e há cerca de 100 seminários (o título do evento fala em mais de 90), com quase 250 palestrantes a falar sobre história, geografia, política, economia, literatura, poesia, teatro, inteligência artificial e ensino universitário.
O que me chama a atenção é o contexto. A feira acontece depois da destruição deixada no sul do Líbano pela guerra israelense, de uma crise económica que se arrasta desde o outono de 2019 e das consequências da guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão. Salwa Al-Senioura Baassiri, presidente do Clube Cultural Árabe que organiza a feira, disse que realizá-la nestas condições é um desafio ao que existe, que a cultura é essencial em tempos de crise e que a região precisa de comunicação, não de combate.
Alguns seminários focam o património que o sul do Líbano tem perdido, incluindo sítios arqueológicos e históricos. O ministro da Cultura do Líbano, Ghassan Salamé, afirmou que três dos cinco castelos da lista de património em risco da UNESCO caíram sob ocupação israelense e que o quarto foi danificado. A feira tem também espaços dedicados à produção do livro, desde a história da impressão, a separação de cores e a encadernação até ao desenho de tipos e capas, e sete universidades expõem capas de livros desenhadas pelos seus alunos.
A feira não se realizou em 2019, 2020 nem 2021, por vários motivos, entre eles os protestos, a explosão do porto de Beirute e obras de renovação, e foi retomada em março de 2022. Para mim, a sua continuidade transmite uma mensagem simples: mesmo nos momentos mais difíceis, o livro continua a ser um lugar onde as pessoas se encontram.
Fonte: Al Jazeera Net
O livro ilustrado Kireteru (Está cortado), de Noritake Suzuki, foi escolhido como vencedor do Grande Prémio da 36.ª edição dos Prémios da Aldeia do Livro Ilustrado de Kenbuchi. Li a notícia num artigo da Real Sound Book e fiquei tão contente que quis partilhá-la.
O que distingue este prémio é ser decidido pelos votos dos leitores que visitam a Aldeia do Livro Ilustrado de Kenbuchi, em Hokkaido, e não por um júri de especialistas. O artigo apresenta-o como um prémio caloroso e próximo das pessoas. Este ano, o vencedor foi escolhido entre 269 obras candidatas.
Kireteru (Poplar, outubro de 2025) é o segundo livro da série «?e!». Um rolo de pão de ló com ar delicioso parece estar cortado, mas continuam a acontecer coisas inesperadas, segundo o artigo, um livro ilustrado de humor divertido para crianças e adultos. O primeiro, Tareteru (Está a pingar), já teve várias reimpressões, e a série soma mais de 160 mil exemplares vendidos.
Suzuki nasceu em 1975 em Hamamatsu, na província de Shizuoka. Trabalhou como designer gráfico antes de se tornar autor de livros ilustrados. Recebeu o Prémio dos Leitores do 17.º Prémio Japonês do Livro Ilustrado por Boku no Toire (A Minha Casa de Banho), o 62.º Prémio Shogakukan de Cultura Editorial Infantil por Shigotoba Tokyo Skytree (Local de Trabalho: Tóquio Skytree), o primeiro lugar nos Prémios MOE da Livraria de Livros Ilustrados 2022 por Ookii Pinch Zukan (Grande Apuro, Dicionário Ilustrado) e o primeiro lugar nos mesmos prémios de 2024 por Ookii Pinch Zukan 2.
O que mais gosto é que este prémio foi decidido pelos votos dos leitores. Foi reconhecido um livro que pessoas de todas as idades, desde crianças pequenas a adultos, pegam e acham simplesmente divertido. Se este livro lhe chamar a atenção, talvez possa procurá-lo numa livraria ou numa biblioteca.
Fonte: Real Sound Book
Por ocasião da Semana dos Livros Proibidos, a Associação Americana de Bibliotecas (ALA) publicou uma lista dos 150 livros mais contestados documentados entre 1990 e 2025, e Brittany Allen, do Literary Hub, analisou-a por categorias. Achei a sua análise mais reveladora do que os números do título.
Para situar: o Gabinete de Liberdade Intelectual da ALA registou 4.235 títulos contestados no ano passado, o segundo total mais alto já registado. Dos 150 da lista, 20 são clássicos para adultos, entre eles O Sol é para Todos, de Harper Lee, e Eu Sei Porque o Pássaro Canta na Gaiola, de Maya Angelou, ao lado de obras de Salinger, Twain, Wright, Morrison e Huxley. Allen também ficou surpreendida por encontrar livros mais recentes, como Homegoing, de Yaa Gyasi, e Água para Elefantes, de Sara Gruen.
O maior grupo é, de longe, o da ficção juvenil, com 81 títulos. Allen observa que os livros que abordam temas de género e conteúdo sexual foram contestados com mais frequência do que os que tratam de violência armada, violência racial, doença mental, drogas ou a experiência dos imigrantes. Ellen Hopkins tem 14 livros na lista e Lauren Myracle seis. Há 11 títulos infantis e de idade média, sobretudo sobre identidade de género ou famílias queer, como Julián É Uma Sereia e E Tango São Três. Há ainda oito romances gráficos, oito memórias e dez livros de romantasia, nove dos quais de Sarah J. Maas.
Também aparecem algumas curiosidades: cinco guias sobre a puberdade, um manual antirracista e um grupo difícil de classificar, com duas coletâneas de Rupi Kaur e uma antologia de histórias de fantasmas, que Allen sugere ser talvez um resto do pânico satânico.
A conclusão dela é que os censores revelam pouca lógica nas suas escolhas, e incentiva os leitores a pegar nos títulos, listados em ala150.org. Acho que é uma forma prática de assinalar a semana: ler um deles.
Fonte: Literary Hub
Passei vários anos acompanhando os rumores sobre os direitos e a tradução, e agora aconteceu: a editora Azbuka lança “Contra o Dia”, de Thomas Pynchon, com tradução de Maksim Nemtsov. É o romance mais longo do autor, com 1232 páginas, publicado pela primeira vez em inglês em 2006.
No Gorky, Stanislav Raspechenko explica em detalhe o que esperar. A ação vai mais ou menos de 1893 até os anos 1920, da Exposição Mundial de Chicago à Primeira Guerra Mundial. São cerca de duzentos personagens, histórias de famílias de mineiros e inventores, um enredo policial com ocultismo e, à parte, os “Camaradas do Acaso” a bordo do dirigível “Inconveniência”, que dão ao livro um clima quase de aventura.
Gosto especialmente de como o texto reúne a segunda revolução industrial, o anarquismo, a “guerra das correntes” entre Tesla e Edison, o experimento de Michelson-Morley e até o evento de Tunguska. Em comparação com “O Arco-Íris da Gravidade”, a leitura parece mais fácil, e segundo o resenhista é justamente aí que está a armadilha: os finais não se encaixam num quebra-cabeça arrumado.
Se você sente falta do Pynchon ambicioso “de verdade”, e não só de adaptações como “Uma Batalha Após a Outra”, o outono de 2026 é um bom momento para pegar esse calhamaço e ler sem pressa.
Fonte: Gorky