Moda vintage

Psicologia do garimpo: por que a geração Z se encontra nos brechós

Garimpar em brechó sempre teve algo de caça ao tesouro, e uma reportagem recente sobre a geração Z e o second hand colocou isso em palavras. A moda circular deixou de ser alternativa e virou a primeira opção para quem procura peças que contam história.

Os números ajudam a entender: um relatório da BCG encomendado pela Vestiaire Collective, com 7.800 pessoas em 70 países em 2025, mostra o mercado de segunda mão crescendo três vezes mais rápido que a venda de produtos novos, com projeção de US$ 360 bilhões até 2030. Nos Estados Unidos, 66% do guarda-roupa da geração Z já é de segunda mão — e a bolsa é o item mais popular.

O preconceito da "roupa de morto" ficou para trás. A advogada Victória Zattoni, que cresceu entre os brechós de Foz do Iguaçu, transformou as dicas que dava às amigas em conteúdo nas redes. Fiorella Mattheis, da plataforma de revenda de bolsas de luxo A Gringa, conta que muitas clientes jovens começam no luxo diretamente pelo usado, algo que não acontecia antes. E Yasmim Estevam, que começou com uma calça mom de R$ 5 e há 11 anos mantém o brechó no Fundinho, em São Paulo, aposta na curadoria autoral: cada peça passa pelas mãos dela.

O que mais me pegou foi a parte da "psicologia": achar uma raridade no meio das araras dá aquela descarga de prazer, e, num feed que cria e enterra tendências o tempo todo, o brechó corre em outro ritmo. Marina Roale, da Consumoteca, fala do desejo por autenticidade e do "valor de conversa" — a peça vira quebra-gelo quando alguém pergunta de onde ela veio. Há também quem faça upcycling dos próprios achados e quem organize noites de troca de roupas com as amigas.

Mas vale o alerta que aparece na própria reportagem: não é porque tem um baú de blusinhas a R$ 10 que você precisa levar tudo. Garimpar é ótimo; comprar por impulso, nem tanto.

Fonte: Glamour Brasil

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